
Mineira Cemil investe para elevar sua produção e deve entrar no leite em pó (Valor Econômico - 4/1/2008 - Web)
Depois de investir em mudanças importantes em 2007, a mineira Cemil começa o ano com maior capacidade para produção de lácteos e planos de novos aportes. "Na primeira semana de janeiro, vamos começar a produção com novas máquinas", afirma, animado, João Bosco Ferreira, presidente da Cooperativa Central Mineira de Laticínios, sediada em Patos de Minas.
Até o fim do ano passado, a Cemil tinha uma capacidade industrial para processar 300 mil litros de leite por dia e, a partir desta semana, poderá beneficiar 480 mil litros. O incremento será possível após a instalação de duas novas máquinas de envase de embalagens longa vida de um litro para lácteos em substituição a quatro máquinas que funcionavam na planta. O investimento foi de US$ 5 milhões.
As novas máquinas são produzidas pela alemã SIG Combibloc e substituem, na Cemil, equipamentos da sueca Tetra Pak. Ferreira informa que a cooperativa é hoje, no Brasil, a única a envasar leite convencional com as embalagens longa vida da SIG. Segundo ele, o negócio com a alemã foi acertado em novembro de 2006, e a instalação dos equipamentos começou no fim de setembro do ano passado.
Hoje, as quatro afiliadas da Cemil - Cooperativas de Patos de Minas, de Patrocínio, de Paracatu e de Dores do Indaiá - têm uma captação de 600 mil litros de leite por dia. Parte desse volume é vendido no mercado, mas as cooperativas podem elevar a captação se a Cemil ampliar a sua produção.
E é exatamente esse o plano para 2008, quando a central espera iniciar a construção de uma fábrica de leite em pó e de soro de leite em pó, em Patos de Minas. Ferreira informa que o investimento, de R$ 45 milhões, só aguarda licença ambiental para que a construção seja iniciada. Se tudo correr como esperado, diz o presidente da Cemil, a fábrica, para processamento de 400 mil litros de leite por dia, começará a operar no ano que vem.
Além de investir no leite em pó, a Cemil também tem planos de voltar a produzir queijos e requeijão com sua marca. Hoje, a cooperativa, que atua em Minas, Rio, Espírito Santo e interior paulista, tem em seu portfólio, além de leite longa vida, creme de leite, achocolatados e sucos à base de soja. Também tem leite condensado, cuja produção é terceirizada.
Outro projeto que a Cemil espera tirar do papel ainda este ano é a construção de uma planta para processamento de 200 mil litros diários de leite longa vida em Caruaru (PE), com investimento de R$ 40 milhões, em parceria com produtores locais.
João Bosco Ferreira estima que a Cemil deve ter um faturamento de R$ 130 milhões em 2007, 13% mais do que no ano anterior. A receita poderia ter crescido mais, já que o mercado de lácteos esteve aquecido em 2007, mas a produção acabou sendo menor em alguns momentos durante o período de instalação das máquinas, explica o presidente da Cemil.
Para Ferreira, os preços no mercado de lácteos vivem uma mudança de patamar graças ao aumento da demanda e à menor oferta de leite em algumas regiões de produção no mundo. No Brasil, afirma ele, a expectativa é de que 2008 seja um ano de "boa produção e estabilidade no setor". Ele também acredita num ano de mais aquisições no setor de lácteos. "As aquisições vão mudar o setor", prevê.
O episódio de fraude do leite por duas cooperativas mineiras está superado, na avaliação de Ferreira. "Hoje o mercado está estabilizado. É o fim da crise", diz.