Exercícios Físicos em jejum

Anna Cláudia Arruda
Especialista em Musculação e Personal Trainer, Fisiologia do Exercício e Treinamento Desportivo.

Exercícios Físicos em jejum

Você costuma treinar em jejum? Algumas pessoas adotam esse hábito com o intuito de elevar a queima de gordura. Outras, por conseguinte, treinam cedo e não gostam de tomar café da manhã assim que acordam.

Sabe-se que após um jejum prolongado acontece a redução das reservas de carboidratos, com o aumento do metabolismo de gorduras. Pensando nisso, algumas pessoas passaram a se exercitar em jejum para aumentar a utilização de lipídeos. Essa prática para a perda de gordura, no entanto, é altamente questionável.

De fato, durante o jejum a gordura é disponibilizada para a queima e para o fornecimento de energia. Esse processo, contudo, é limitado. A partir de certo momento (o que depende da modalidade, da intensidade e do tempo da atividade) o organismo começa a utilizar a massa muscular para fornecer energia para o corpo. Estudos apontam, inclusive, que as pessoas que treinam de estômago vazio queimam mais músculo do que gordura estocada (STRENGHT ND CONDIOTIONING JOURNAL). Segundo o autor Brad Shoenfeld, aqueles que adotam essa prática têm cerca de 10% das calorias queimadas vindas de proteínas que são utilizadas pelo organismo no ganho de massa muscular. Isso ocorre quando a pessoa fica em jejum por muito tempo. O hormônio cortisol (hormônio catabólico) é liberado, inibindo a queima de gordura e levando o corpo a utilizar a massa muscular como energia. Durante o exercício, o aumento do gasto energético induz uma alteração metabólica. Caso o praticante esteja sem comer a muito tempo, acontece a queda da glicemia, fazendo com o organismo recrute proteína como fonte de energia.

Outro fator importante sobre treino em jejum é a controvérsia entre lipólise e oxidação de gorduras. No decorrer da prática de exercícios de intensidade moderada a alta, ocorre uma maior quebra de moléculas de gorduras. Nem todas, contudo, são oxidadas, sendo depositadas novamente no corpo. Além disso, metade dessas moléculas, na verdade, provêm do próprio músculo, de regiões que não interferem na silhueta.

A moeda corrente do corpo humano, quando acordado, é a glicose. Se o organismo não detecta a ingestão de nenhum alimento na fase de descanso prolongado, vai buscar nutrientes nos depósitos, ou seja, no tecido adiposo prolongado. Pensando assim, seria correto afirmar que treinar em jejum consome todo o pneuzinho armazenado, certo? ERRADO! Em um determinado momento, haverá um entendimento normal e fisiológico de que há dificuldade de se achar alimento. Assim sendo, as reservas energéticas, que são as gorduras, passam a ser poupadas e os músculos (proteínas) são recrutados para o processo de produção de energia. Esse princípio é uma definição perfeita de um falso magro, pessoas com pouco peso, mas muito flácidas.

O consumo de proteínas foi desenhado para ser utilizado em emergências. O seu uso prolongado pode sobrecarregar os rins e o fígado durante todo o processo metabólico do músculo ao executar o exercício. A atividade em jejum também traz mal-estar. Tontura, náuseas e vômitos podem ocorrer durante o exercício. Isso sem falar na fraqueza e na queda no rendimento. Por tudo isso, comer antes da atividade física traz muito mais vantagens do que não comer. 



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